Entardecer... As Palavras do Natal...

| sábado, 24 de dezembro de 2011
Minha avó sempre dizia as Palavras do Natal, um poema antigo que, embora analfabeta, havia decorado na infância e usava todo o ano para comemorar o Natal de Jesus e o seu próprio Natal, por fazer aniversário no dia 24 e dezembro, este é o nosso primeiro ano sem ela, o primeiro ano sem aquele olhar na cabeceira da mesa, o primeiro ano sem as Palavras do Natal... A alguns anos escrevi as minhas próprias Palavras do Natal, com este poema "Entardecer" que dedico a todos os leitores e amigos junto ao desejo de um Santo, Abençoado e Feliz Natal!
Vítor Isidro

Entardecer

Num entardecer de verão
Enquanto espreitava o calor
Lembrei d’outra tarde serena
Descrita no chasque do amor
Quando na estância em Belém
Veio ao mundo o Salvador

Ao antes então retornei
Palmeando meu chimarrão
Pra um ranchinho simples
Distante noutro rincão
Quando a Prenda celeste
Deu o sim na Anunciação

Pensei no Anjo gaudério
O missioneiro São Gabriel
Ao surpreender a Virgem
Lidando em seu carretel
A alegria de ser mensageiro
Dum chasque vindo do céu

A saudação foi gloriosa
Porque glorioso era o dia
Salve! Prenda celeste!
Ave! Prenda Maria!
Serás a mãe do Senhor
Darás a luz o Messias

Maria não se medrou
Pois tinha que ser assim
Era uma serva de Deus
Que lhe presenteou este fim
Foi pura, casta e piedosa
Deu por vontade o seu sim

Servir ao Divino Patrão
Isso ela sempre o faria
Foi filha e mãe do Senhor
O Deus e senhor de Maria
Cuidou de Izabel e de João
Na estância de Zacarias

Sofreu o xirú prometido
O taura chamado José
Pensou em fugir pra longe
Dos bretes de Nazaré
Mas ouviu de São Gabriel
A charla sagrada da fé

Ao encontro de Maria
O carpinteiro se vai
Amor de muita grandeza
Dos que hoje não se vê mais
O guasca se fez protetor
Do Filho do Eterno Pai

Partiram confiando na sorte
Rumo a estância de Belém
Não receberam abrigo
Nem auxilio de ninguém
Só o gado e o pastoreio
Foi testemunha também

Era vontade de Deus
A idéia do Soberano
É este o grande milagre
Que rezamos todo o ano
O Rei dos reis nasceu pobre
E foi envolto com panos

Nasceu num brete gaudério
E não entre patrões e senhores
Só a criação e os pais
Deram os primeiros amores
E um anjo cheio de luz
Foi convocar os pastores

Depois sim, vieram reis
Seguindo um facho de luz
Que no coração do pago
Até hoje ainda reluz
Quando se vê no Presépio
Maria e José com Jesus

Queria ser um pastor
Naquela noite sem igual
Mas nasci em outro tempo
Peão do Rio Grande bagual
Só posso pedir ao Piázinho
Um Feliz e Santo Natal

1 comentários:

{ Du } at: 2 de janeiro de 2012 09:58 disse...

Que bonito... :)

 

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