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Porque vim...

| quinta-feira, 23 de maio de 2013

Foi o que me trouxe até aqui... Vim buscar a inspiração que anda pouca, vim curar a voz das letras que anda rouca, vim matar a saudade de um olhar... E achei o que vim buscar... Vim em busca desta bússola do tempo que, qual a outra, aponta sempre o que se quer, vim reaver aquele verso solitário que tantas vezes de um simples comentário, fez poema pra os meus versos libertar... Achei o que vim buscar! Achei o norte que pauta minha canção, achei o olhar que me faz rima ao coração, achei o riso escondido pelo catre, achei a vida que ainda lume no meu mate.

Dom Isidro

Por onde andei... Nesta sina de andar...

| quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Andei longe, gastei espinhos pelos caminhos por onde andei...
Sigo meu trilho, arranco os espinhos dos nós mesquinhos que eu mesmo criei...
Corri na rua... Fiz trilha pra lua nas minhas andanças... Na beira da sanga...
Meu riso criança ficou na lonjura...
No estreito do dia, escutei a alegria do canto dos galos...
O cristal da água lavou cada mágoa que a vida me deu...
Andei sempre andando, buscando os encantos de versos tão meus...
Deitando minha crina, acolho esta sina, presente de Deus...
No canto dos grilos, cruzei os banhados... Cortei aramados no verde das matas...
Fiz voo nas asas de garças encantadas prostradas ao sol...
Toquei o arrebol e as brasas do céu... Sou mestre... Sou réu...
Num destino andarilho que faz estribilho pras noites de breu...
Fui algoz, menestrel, nas noites de frio...
Minha alma de rio que abranda o verão, tem sede de mar...
E de tanto andar por um sonho, quimera...
Floresce com as flores que enfeitam as taipas depois das esperas...
Minha alma de rio, esquece o estio, os açoites do frio e as noites de espera...
Quando a vida renasce e um sorriso que nasce com a primavera.

Dom Isidro

Tranqueando uns versos...

| sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Tranqueio gestos, tranqueio verbos
Num sol se pondo em quimera.
Mate gordo, riso solto
E um olhar de quem espera.
Rimas soltas, vidas rotas.
Almas revoltas, lembranças tantas...
Esperas outras...

Dom Isidro

Quando mais um comentário vira post...

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O verde do mate é quem me põe esperanças no olhar...
Agranda minha alma, traz luz e acalma...
Poesia no sangue e razões pra sonhar...
Dom Isidro

Agostinho Tropeiro

| terça-feira, 28 de agosto de 2012


Agostinho tropeiro
O sol se levantou
E a lua adormecia
Agostinho se acordou
Logo ao raiar do dia.

Ainda era cedo pra lida
E o taura ia chimarrear
Mas ao chiar da chaleira
Pegou a pensar na vida
Pegou a se lamentar.

Pensou logo no compadre
E no filho que se foram
Resolveu campear o padre
Rezar pelos que o deixaram.

Depois do zaino encilhado
Nem cevou seu chimarrão
Se foi a trote pra o povoado
Chegou no meio do sermão
E o bispo seguiu falando
Do evangelho, dos irmãos
E cada dito tocava
O peito daquele peão.

Dom Ambrósio falou bonito
Dum tal Divino Patrão
Que mandou o filho solito
Pra morrer pelos irmãos
Agostinho ouviu que o tropeiro
Esse tal de Jesus Cristo
Fez um serviço bonito
E começou a conversão.

E Agostinho bolicheiro
Boêmio e cheio de ardor
Deixou de ser bochincheiro
Deixou de ser peleador.

Só não deixou da labuta
Nem parou de chimarrear
Mas o vivente mudou de luta
Começou a evangelizar.

O Cristo quando apaixona
Não adianta corcovear
Bem mais que som de sanfona
Leva a gente sem pensar.

A mãe, Mônica, se alegrou
Com a boa decisão
De alegria até chorou
Por ver o filho cristão.

Mas esta felicidade
Também requer sacrifício
É preciso castidade
Prontidão para o serviço.

E pra ele foi difícil
Pois não era aquerenciado
A deixar de lado o vicio
Se tornar um consagrado.

Mas um índio inteligente
Não dispara na aflição
Era difícil ser crente
Mas era melhor ser cristão.

E o moço bolicheiro
Não se medrou por quebranto
Doutor e padre primeiro
Depois morto, grande santo
E hoje é quisto no mundo
Em todos os quatro cantos
Por que mergulhou bem no fundo
No poço do Espírito Santo.

Nunca mais...

| quinta-feira, 19 de julho de 2012
Sigo os traços dos meus passos, sem cansaço... O tempo não parou, o mundo ainda é o mesmo, sigo a esmo pelos trilhos que pisei no mesmo chão, pela rua, estrada nua, encontrei a chave de um coração... Segui e seguindo, nasci partindo, sem pensar no que ficou pra trás, das escadas, das ramadas que esperam no mesmo cais e solitária a ave grasna mais uma vez o seu "Nunca mais!"
Dom Isidro

Aforismos da Alma - 01

| domingo, 1 de abril de 2012

Vi tardes caírem calmas nas vistas das almas que andam sós. Vi dias trançando vias no viço vivo dos girassóis. Vi noites andarem mansas mirando as danças do luar, vi vaga-lumes a procurar luzes perdidas em um olhar. Vi mundos buscando o fundo do poço raso do bem querer, vi tempos trincando ventos, contando tentos para viver.
Andei andando, me procurando na sanga clara dum arrebol, promessa rara, pressa desnecessária de um caracol. Contei com a noite, senti o açoite do ramo verde que a alma lavra na dor do corte, fere de morte o fio da palavra. Lágrimas rotas secas nas gotas de uma lembrança, jaz a esperança do reencontro do verso pronto para entregar a quem não vêm e ainda insiste em esperar, na ânsia incontida de nascer partindo, de andar sentindo sem nunca chegar...

Dom Isidro

Tenteei uns versos... De um tal Leonardo José...

| quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tenteei uns versos de despedia pro meu velho, já faz tempo... Mas hoje, ao lembrar de um sonho que tive com ele, resolvi postar estes versos toscos, que apontam uma saudade, muitas lembranças e uma vontade...

De um tal Leonardo José
(Em memória de meu pai)
A dor espinha no peito
E o índio não vê a ferida
Só sabe que tem que dizer
O adeus da despedida
Quando a morte caborteira,
Toca o hino da partida.

Hoje me peala esta dor
Por um taura que se vai
Um bom e velho gaiteiro
Que hoje não toca mais
Rendo esta charla campeira
Ao meu bom e querido pai.

Os amigos vão embora
Tristes, estendem a mão
Depois de deixar um taura
A sete palmos do chão
E a gente então se vê só
Num rancho de solidão.

Enquanto cevo este mate
Acho que assim a vida é
Vou hoje matear solito
E renovar minha fé
Rezando pra aquele santo
Que como meu pai foi José.

Mas não foi só este nome
Que meu pai levou do santo
Também foi trabalhador
Nunca medrou de quebranto
Também amava a Deus Pai
E o vaqueano Espírito Santo.

Sei que parte com ele
Aquela voz machucada
Que tantas vezes cantou
Nos bailes de madrugada
Agora canta pra Deus
Lá na eterna morada.

A lágrima molha o papel
E o pito vai se apagando
E aquela dor caborteira
Para os versos vai passando
E, como meu pai, limpo o rosto
Pra não me verem chorando.

Se é pra dizer adeus
Que seja numa canção
Ou numa prece campeira
Um prosa de oração
Que dou como despedida
Ao meu pai do coração.

Chimarreando com Deus
Fiz esta pajada de fé
Pois sou filho de um cristão
E soou um índio que crê
Entrego ao Patrão Celeste
Um tal Leonardo José.

Dom Isidro

Retrato

| quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Retrato
A noite chegou de manso
Como quem vem pra ficar
Trouxe um véu cobrindo a tarde
E um manto de estrelas pro luar
Trouxe um riso na lembrança
E uma causa pra sonhar.

Na solidão do meu mate
Sussurrei esta canção
Com teu nome entre as ondas
Faz-se mar meu chimarrão
Sem o mel do teu sorriso
Pra adoçar meu coração.

Vi os grilos em melodia
Em parceria com a rua
Vi que a noite fez de estrelas
Seu livro de partitura
Numa orquestra da natureza
Magistrada pela lua.

Quando o brilho dos meus olhos
Fez menção ao horizonte
Um barrete de esperanças
Pra saudade fez reponte
O pôr do sol num sorriso
Retratou o teu semblante.

Noutro mate, noutro verso
Foi-se embora o meu cansaço
Pois tua voz soprou meu nome
No canto suave de um pássaro
Que se aconchegou no ninho
Como te aqueço em meus braços.

E a cuia quedou-se quieta
Bem ao lado da cambona
O vento levou meu beijo
E silenciou a cordeona
Para levar meu olhar
Pra te entregar, minha dona.

A noite chegou de manso
Trouxe um véu cobrindo a tarde
Sussurrei esta canção
Na solidão do meu mate
Retratou-me teu semblante
Num pôr de sol que ainda arde.

Dom Isidro

Olhar da Criação

| sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Cada amanhecer traz em si a magia dos dias, energia e vida, presentes de um criador, presentes no mundo, presentes do amor. Cada amanhecer traz consigo uma flor, à qual regamos com a água cristalina dos gestos e alimentamos com a luz de um sorriso.

A maior de todas as forças, o maior de todos os seres criou tudo o que vemos, o que somos, o que temos e o que amamos e plantou em nós a semente do amor, cada ser humano é parte de um todo que exala o mesmo perfume, o perfume da criação que, humilde e feliz, agradece ao criador a semente fecunda, a doçura dos frutos, o perfume da essência e a força contida na raiz profunda da vida.

A vida que nasce e renasce a cada segundo é semente lançada em solo fecundo, é diversidade de cores e flores a perfumar o mundo. Um mundo de sonhos onde cada semente se destina à perfeição e tem por meta a felicidade.

Algumas flores crescem, se estendem, dão frutos e, por eles, novas sementes. Outras flores carregam consigo um sabor de vida, um perfume que brota da alma e encanta os sentidos e completa os destinos de plena esperança.

Entre as flores mais belas se encontram aquelas que vemos, que cremos, que amamos e que sabemos, contentam-se em viver a beleza das pétalas, das folhas, sem, no entanto, negar a simplicidade nutriente da luz.

Mãos hábeis criaram as flores e as vidas, olhos calmos plantaram sementes de luz em um mundo que busca a paz e que ergue a voz agradecendo ao Ser Criador que, neste mundo, imenso jardim de flor, plantou o brilho mais forte, o sol que aquece as sementes, a água que é vida em vertente e o perfume suave do amor.

Dom Isidro

Na mirada do amargo...

| quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A grama tordilha, o pasto, a macega
O taura cantando proezas da guerra
O velho que conta com as bençãos da terra.

São sinas gaúchas de campo e de céu
Das cismas que esconde por sob o chapéu
Sonhando com a china e seus lábio de mel.

É a vida do pampa que corre em porfia
O cusco orelhano correndo à lá cria
E um galo que canta acenando pro dia.

O doce do margo reponta a esperança
De erguer um ranchinho pra prenda e as crianças
Cuidando da lida e cantando lembranças.

De um tempo passado em que também foi piá
entre as pitangueiras, a sanga, o pasto e o caraguatá
Juntando quimeras e vendo a vida passar.

Confio a carreira da vida e dos meus
Pra lida de campo que a vida me deu
Buscando a mirada dos olhos de Deus.

Dom Isidro

De um velho manuscrito...

| sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sorrisos sumindo
Amores negados
Lagrimas caindo
Sonhos roubados
As dores partindo
Em um peito cerrado

Quero meus sorrisos
Devolva meus amores
Enxugue meus olhos
Arranque as minhas dores
Dê-me o sentimento
Em doces sabores

Onde estão os abraços
Onde está meu abrigo
Onde foi o sabor
E a doçura dos figos
Onde está a segurança
Dos códigos sem artigos

Quero teu sorriso
Quero sentir teu calor
Quero ouvir tua voz
Quero provar teu amor
Para ti sou a lembrança
Para mim sou a dor.

Dom Isidro

Ausência e vida...

| sexta-feira, 8 de julho de 2011

O tempo, senhor de muitos e servo de um, mostra que a morte é a ausência da vida, ausência presente, sentida, sem sentido, silenciosa, como o sopro suave do vento nas brumas da alma, pelo sopro de amor recebemos a vida, como um sopro ela se vai, restam lembranças, chegadas, partidas e um coração cheio de amor esperando no cais...
Isidro

Almas manipuladas

| domingo, 10 de abril de 2011

 
E quem disse que não pode se apriosionar uma alma? São tantas almas manipuladas, roubadas, dilaceradas e por fim, abandonadas...

#Divagando

 

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