Homenagem aos avós - Meus Velhos

| sábado, 30 de julho de 2011

Eu as vezes volto ao rancho
Onde tive criação
Pra arrematar a saudade
Que trago no coração
E encontro dois velhinhos
Ao pé dum velho fogão

É um gosto chimarrear
Ouvindo suas memórias
São belos causos antigos
Que trazem da trajetória
Dos mestres que hoje velhos
Juntos traçaram a história

São as melhores relíquias
De um tempo que já partiu
São conselho e verdade
Que muito mal já venceu
São meus amados avós
A quem rendo este ardil

Tive boa criação
Sob este terno olhar
O avô comigo no colo
A avó a me acariciar
A benção e o beijo doce
Me ensinando a rezar

Da gamela enfarinhada
Tantas vezes vi surgir
Roscas, pães e bolachas
Que a avó fazia a sorrir
Enquanto o avô descansava
Para lida e o porvir

Foram prendas mui lindas
Fortes e belos peões
A quem deram vida e educaram
Cultivando as tradições
Traçando bênçãos na fronte
E recitando orações

Os rostos envelhecidos
Que hoje olham pra mim
Lembram dos de outrora
Dos avós lá de Belém
Da sábia e doce Sant’Ana
E do justo São Joaquim

São hoje como um retrato
Impresso no coração
As rugas cruas e rudes
Que via nas suas mãos
Ensinaram-me a ser homem
Ser justo, bom e cristão

As lutas que suportaram
Nesta vida de perigos
Deram os braços fortes
Que foram o meu abrigo
E sendo apenas dois velhos
São meus melhores amigos

Seus olhares que me cobrem
Com um sorriso contente
Ensinaram-me os caminhos
Pra ser honesto e valente
São meus exemplos, meus mestres
Meus irmãos, meus confidentes

Pai Nosso que estais no céu
Ouça-me e compreenda
Permita que vivam sempre
E na luta nunca se rendam
Para as tristezas da vida
Este peão e esta prenda

E assim como criaram
Tantos netos, tantos filhos
Que eu sempre carregue comigo
Como o sangue que partilho
Da avó o doce sorriso
E do avô nos olhos o brilho

Saibam todos que este verso
O tempo fará em pó
Quem escreve é um gaúcho
Com coração e garganta em nó
Que rende esta homenagem
Aos amados vovô e vovó

Vítor Isidro

Fonte da Imagem


1 comentários:

{ Du } at: 30 de julho de 2011 12:20 disse...

Senti saudades dos meus avós, que mal conheci...mas tenho lindas lembranças de infância. Muito carinho, meu avô me chamando de bonequinha e eu correndo pra abraçar ele... acho que eu devia ter uns 3 anos... Saudade pouca é bobagem, né?

Tão meigo teu poema, Vítor...

 

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